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Mais de 15,6 milhões de brasileiros entre 05 e 29 anos convivem atualmente com algum transtorno mental. O número representa 20,91% da população nessa faixa etária e faz parte de um estudo do Global Burden of Disease (GBD), publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Américas. O relatório evidencia ainda um avanço progressivo conforme a idade, que avança de 12,06% no grupo de 05 a 9 anos para 24,95% entre os jovens adultos de 25 a 29 anos.
Outro ponto alarmante são os transtornos mentais combinados aos quadros ligados ao uso de substâncias, que correspondem a 36,52% de toda a incapacidade medida entre os brasileiros dessa faixa de idade. Na pesquisa, a ansiedade aparece como a principal causa de problemas de saúde que comprometem a qualidade de vida. Além disso, o estudo revela que a autolesão causa, em média, 5.402 mortes por ano entre pessoas de 10 a 29 anos, apontada como uma das maiores responsáveis pelo óbito prematuro de jovens e adolescentes brasileiros.
Para o psicólogo Paulo Zago Neto, os números refletem uma combinação de fatores que vem afetando cada vez mais cedo o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes, por ser uma geração exposta à pressão por desempenho, ao bullying, à comparação constante, ao excesso de tempo em telas, ao isolamento, às mudanças nas relações familiares e às incertezas sobre o futuro. Tudo isso pode favorecer o surgimento de ansiedade, depressão e outros transtornos quando não há suporte emocional.
“A saúde mental na infância é uma questão de saúde pública, é preciso acompanhar de perto o desenvolvimento emocional das crianças para formar adultos mais saudáveis e resilientes. Os pais devem compreender que mudanças persistentes no comportamento de seus filhos não podem ser minimizadas como se fossem apenas uma fase passageira. Isolamento, irritabilidade, dificuldade para dormir, queda no rendimento escolar, mudanças bruscas de humor e perda do interesse por atividades podem ser sinais de sofrimento psicológico e merecem atenção”, diz Paulo.
De acordo com o especialista, a ansiedade se caracteriza como uma reação emocional de medo, tensão e preocupação frente a decisões, desafios e situações impostas. Por essa razão, as ações preventivas precisam começar precocemente, bem antes do desenvolvimento dos transtornos. É importante que a família reserve tempo para conversar, fortaleça os vínculos afetivos, incentive atividades físicas, limite o uso excessivo de telas, respeite os horários de sono e ensine crianças e adolescentes a reconhecer e expressar suas emoções. Esses fatores funcionam como importantes elementos de proteção.
Assim como as crianças e adolescentes, os adultos também convivem com índices elevados de ansiedade e depressão, condições que afetam o bem-estar, a produtividade e a qualidade de vida. Em muitos casos, esses transtornos interferem na capacidade de trabalhar, estudar, manter relacionamentos e realizar atividades cotidianas, tornando-se um dos principais desafios já enfrentados. Esse cenário evidencia que o cuidado com a saúde mental deve acompanhar o indivíduo ao longo de toda a vida, com ações de prevenção, acolhimento e tratamento adequado.











