Livro revela como o santo guerreiro atravessou séculos de repressão, reinvenções e misturas culturais até se tornar um dos símbolos mais potentes da fé brasileira
Cultuado por católicos, ortodoxos, anglicanos e até
muçulmanos, São Jorge atravessa séculos como uma das figuras mais populares e simbólicas da devoção universal. No Brasil, sua presença rompe fronteiras religiosas: o santo guerreiro desce dos altares para habitar esquinas, botequins e terreiros, sintetizando a mistura entre água benta, dendê e axé que marca a formação cultural do país.
Em São Jorge: O santo do povo e o povo do santo, livro que chega às lojas pela Editora Planeta, o historiador Luiz Antonio Simas reconstrói a trajetória de resistência dessa devoção que sobreviveu a desconfianças da Igreja e diversas tentativas de apagamento. O autor mostra como, ao longo do tempo, São Jorge se tornou um símbolo essencial do cristianismo popular brasileiro — um santo moldado menos pelas instituições e mais pela força do povo, suas histórias, ritos e afetos.
Ao narrar a saga do cavaleiro e seu famoso dragão — que assume, dependendo da época, o rosto do inimigo de guerra, do custo de vida ou das angústias cotidianas — Simas revela um personagem que se reinventa de acordo com as necessidades e medos coletivos. Padroeiro de cidades, nações e arquibancadas, ele transita entre o sagrado e o profano, entre altares e festas, encarnando coragem, justiça e resistência.
Mais que a biografia de um santo, o livro apresenta a aventura humana por trás dessa devoção que se espalha pelas noites de lua cheia e pelas esquinas suburbanas. Para Simas, São Jorge é o santo do perrengue, do aperto e do improviso — talvez por isso um dos maiores representantes do espírito brasileiro. Seu maior milagre, sugere o autor, é manifestar o divino como pura humanidade.
FICHA TÉCNICA
Título: São Jorge: O santo do povo e o povo do santo
Autor: Luiz Antonio Simas
ISBN: 9788542240603
112 páginas
R$ 49,90
Editora Planeta
SOBRE O AUTOR
Luiz Antonio Simas é escritor, professor, historiador e mestre em história social pela UFRJ. Tem mais de 30 livros publicados. Recebeu o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção 2016 com Dicionário da história social do samba, que escreveu em parceria com Nei Lopes. Foi finalista do mesmo prêmio em outras três ocasiões. Este é seu primeiro livro pela Editora Planeta.
SOBRE A EDITORA
Fundado há 70 anos em Barcelona, o Grupo Planeta é um dos maiores conglomerados editoriais do mundo, além de uma das maiores corporações de comunicação e educação do cenário global. A Editora Planeta, criada em 2003, é o braço brasileiro do Grupo Planeta. Com mais de 1.500 livros publicados, a Planeta Brasil conta com nove selos editoriais, que abrangem o melhor dos gêneros de ficção e não ficção: Planeta, Crítica, Tusquets, Paidós, Planeta Minotauro, Planeta Estratégia, Outro Planeta, Academia e Essência.

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